Uma das maiores operações contra o jogo ilegal no Brasil, realizada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) e pela Polícia Civil do Paraná, teve reflexos diretos em Anápolis, onde pai e filho foram presos suspeitos de fornecer equipamentos tecnológicos para o funcionamento da estrutura criminosa.
A chamada Operação Big Fish foi deflagrada nos dias 7 e 8 de abril e teve como objetivo desarticular uma organização criminosa de grande porte voltada à exploração de jogos de azar, com atuação em diversos estados do país.

Ao todo, foram cumpridos 85 mandados de prisão preventiva e 102 mandados de busca e apreensão contra 90 investigados. As ações ocorreram principalmente na cidade de Cianorte (PR), considerada a base operacional do grupo, mas também se estenderam a outros estados, incluindo Goiás.
Ligação com Anápolis
Em Anápolis, dois investigados — pai e filho — foram presos por, segundo as apurações, integrarem o núcleo tecnológico da organização. Eles seriam responsáveis por fornecer equipamentos e suporte tecnológico essenciais para o funcionamento do esquema criminoso em diversas regiões.
A atuação desse núcleo era considerada estratégica para a operação do grupo, que dependia diretamente de sistemas digitais e infraestrutura tecnológica para gerenciar apostas ilegais.

Esquema sofisticado e atuação nacional
As investigações, coordenadas pela 5ª Promotoria de Justiça de Cianorte, apontaram que a organização possuía estrutura altamente sofisticada, dividida em núcleos bem definidos: liderança, financeiro, tecnológico e operacional.
Um dos principais destaques do esquema era o sistema chamado “Suni”, desenvolvido por um dos líderes do grupo. A plataforma funcionava como centro de controle das apostas ilegais, integrando em tempo real operações realizadas por máquinas POS (Point of Sale).
O sistema era utilizado em pelo menos 14 estados brasileiros e operava mais de 15 mil pontos de exploração de jogos, incluindo jogo do bicho, caça-níqueis, apostas esportivas e jogos online, como o popular “tigrinho”.
Para dificultar a ação das autoridades, os sistemas eram hospedados em servidores no exterior, evidenciando o alto grau de sofisticação tecnológica da organização.
Movimentação bilionária e lavagem de dinheiro
As apurações revelaram que o grupo movimentou cerca de R$ 2 bilhões, distribuídos em mais de 522 mil operações financeiras.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, os investigados utilizavam empresas de fachada, “laranjas” e mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, como a fragmentação de valores e a mistura com receitas aparentemente legais.
Além disso, familiares dos líderes eram utilizados para administrar bens e empresas, enquanto o controle efetivo permanecia com a cúpula da organização.
Bloqueio de bens e estrutura desmontada
Durante a operação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em contas bancárias.
Também foram sequestrados:
- 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões
- 111 imóveis, com valor superior a R$ 32,9 milhões
- mais de 100 cabeças de gado
Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.
Infiltração política
Entre os presos estão dois vereadores do Paraná, incluindo o presidente da Câmara de Cianorte e o vice-presidente da Câmara de Goioerê, o que evidencia o nível de infiltração da organização criminosa no poder público.
Investigação segue em andamento
As autoridades seguem aprofundando as investigações para identificar todos os envolvidos e ramificações do esquema, que atuava de forma integrada em diversos estados brasileiros.
A participação de investigados em Anápolis reforça o alcance nacional da organização e acende alerta sobre o uso de tecnologia em atividades criminosas cada vez mais sofisticadas.

