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Professor da UFG é demitido após denúncias de assédio sexual

ByRedação

12 de Março, 2026

Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi exonerado do cargo após denúncias de assédio sexual feitas por estudantes da Faculdade de Veterinária. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e resulta de um processo administrativo disciplinar que concluiu pela violação do dever funcional e pelo uso do cargo para obter vantagens pessoais.

Primeiras denúncias

O caso veio à tona em 2017, quando uma ex-aluna relatou comportamentos considerados inadequados, como toques físicos e tentativas de ficar a sós com ela. Em um episódio, durante o retorno de uma atividade acadêmica, o professor teria sugerido que fossem a um motel. Após a recusa, ele continuou enviando mensagens à estudante.

“Como ele era do comitê de orientação, comecei a perceber algumas atitudes inadequadas pra posição de professor: pegar no cabelo, pegar no braço”, disse.

A estudante relatou ainda que o professor tentou ficar sozinho com ela em algumas situações. Em um dos episódios, durante o retorno de uma atividade na fazenda escola, ele teria sugerido que os dois fossem para um motel.

“No meio do caminho ele sugeriu que a gente fosse pra um motel que tinha na estrada. Aquilo me assustou muito”, afirmou.

Novos relatos

Em 2023, outras cinco alunas procuraram a universidade e relataram situações semelhantes. Segundo elas, os comentários sobre o comportamento do docente já circulavam entre os estudantes, mas ganharam força quando foi aberto o processo administrativo. As jovens afirmaram que o professor usava sua posição para pressioná-las, insinuando que oportunidades acadêmicas e profissionais dependeriam de sua aprovação.

“Todos sabiam, mas não tinham certeza até que começaram a aparecer as vias de fatos, que estava sendo aberto processo. E então descobrimos que realmente tinha acontecido”, disse.

A advogada Patricia Zapponi é de uma organização que atua na defesa de mulheres e representou as seis estudantes no processo administrativo. Segundo ela, o professor teria usado a posição na universidade para obter vantagens de cunho sexual.

Processo e consequências

A advogada que representou as seis estudantes destacou que a demissão é um primeiro passo, mas que as denúncias ainda estão sendo investigadas na esfera criminal. Ela ressaltou os danos psicológicos sofridos pelas vítimas e a importância da responsabilização institucional.

Uma das estudantes relatou ter se sentido culpada após os episódios, acreditando que poderia ter dado sinais equivocados. Esse sentimento de culpa, segundo especialistas, é comum em casos de assédio e reforça a necessidade de apoio psicológico às vítimas.

Posição da universidade

A UFG informou que ainda não foi oficialmente notificada pelo Ministério da Educação sobre a decisão e que poderá se manifestar após a devolução formal do processo. O professor não respondeu às tentativas de contato feitas pela imprensa.

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