Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi exonerado do cargo após denúncias de assédio sexual feitas por estudantes da Faculdade de Veterinária. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e resulta de um processo administrativo disciplinar que concluiu pela violação do dever funcional e pelo uso do cargo para obter vantagens pessoais.

Primeiras denúncias

O caso veio à tona em 2017, quando uma ex-aluna relatou comportamentos considerados inadequados, como toques físicos e tentativas de ficar a sós com ela. Em um episódio, durante o retorno de uma atividade acadêmica, o professor teria sugerido que fossem a um motel. Após a recusa, ele continuou enviando mensagens à estudante.

“Como ele era do comitê de orientação, comecei a perceber algumas atitudes inadequadas pra posição de professor: pegar no cabelo, pegar no braço”, disse.

A estudante relatou ainda que o professor tentou ficar sozinho com ela em algumas situações. Em um dos episódios, durante o retorno de uma atividade na fazenda escola, ele teria sugerido que os dois fossem para um motel.

“No meio do caminho ele sugeriu que a gente fosse pra um motel que tinha na estrada. Aquilo me assustou muito”, afirmou.

Novos relatos

Em 2023, outras cinco alunas procuraram a universidade e relataram situações semelhantes. Segundo elas, os comentários sobre o comportamento do docente já circulavam entre os estudantes, mas ganharam força quando foi aberto o processo administrativo. As jovens afirmaram que o professor usava sua posição para pressioná-las, insinuando que oportunidades acadêmicas e profissionais dependeriam de sua aprovação.

“Todos sabiam, mas não tinham certeza até que começaram a aparecer as vias de fatos, que estava sendo aberto processo. E então descobrimos que realmente tinha acontecido”, disse.

A advogada Patricia Zapponi é de uma organização que atua na defesa de mulheres e representou as seis estudantes no processo administrativo. Segundo ela, o professor teria usado a posição na universidade para obter vantagens de cunho sexual.

Processo e consequências

A advogada que representou as seis estudantes destacou que a demissão é um primeiro passo, mas que as denúncias ainda estão sendo investigadas na esfera criminal. Ela ressaltou os danos psicológicos sofridos pelas vítimas e a importância da responsabilização institucional.

Uma das estudantes relatou ter se sentido culpada após os episódios, acreditando que poderia ter dado sinais equivocados. Esse sentimento de culpa, segundo especialistas, é comum em casos de assédio e reforça a necessidade de apoio psicológico às vítimas.

Posição da universidade

A UFG informou que ainda não foi oficialmente notificada pelo Ministério da Educação sobre a decisão e que poderá se manifestar após a devolução formal do processo. O professor não respondeu às tentativas de contato feitas pela imprensa.

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