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Mãe denuncia que menina de 4 anos foi estuprada em hospital de Goiânia três dias antes de morrer

ByPietro

14 de Agosto, 2024

Emanuelly Vitória Rocha de Souza morreu de septicemia por apendicite aguda. Suspeito de estuprá-la foi preso, e a polícia aponta que ele fez ao menos três vítimas.

A família de Emanuelly Vitória Rocha de Souza, de 4 anos, denunciou com exclusividade à TV Anhanguera que a menina foi abusada sexualmente dentro do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), em Goiânia. A menina morreu no dia 9 de maio, após ser internada na unidade para tratamento de uma suspeita de apendicite. O suspeito de estuprá-la foi preso, e a polícia aponta que ele fez ao menos três vítimas.

“Eu sempre falei para eles: ‘aconteceu aqui dentro’. Foi ali dentro. Eles sempre negaram”, afirmou a mãe de Emanuelly, Giselly de Souza.

A Secretaria de Saúde de Goiás, responsável pelo Hecad, afirmou que não vai se manifestar sobre o caso, uma vez que a investigação está sendo conduzida pela Polícia Civil. À TV Anhanguera, o advogado do suspeito informou que responderá apenas nos autos do processo.

A Polícia Civil não divulgou o nome do suspeito e informou que o inquérito deve ser finalizado no final da próxima semana.

Conforme o laudo da Polícia Científica, a causa da morte foi septicemia por apendicite aguda. A família relatou que Emanuelly foi levada ao Hecad com dores abdominais, diarreia e vômitos. Inicialmente, a menina foi atendida e liberada com medicação, mas voltou ao hospital com piora dos sintomas, no dia 5 de maio. Ela foi então internada e transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Emanuelly Vitória Rocha de Souza morreu em maio, em Goiânia — Foto: Reprodução

Segundo a família, o abuso teria ocorrido na manhã do dia 6 de maio. A tia de Emanuelly, que estava acompanhando a menina no hospital, afirmou que foi retirada do quarto por um homem e uma mulher que se apresentaram como funcionários do hospital. O homem, identificado como técnico em segurança do trabalho e preso na quinta-feira (8), teria permanecido com a criança durante duas horas, alegando que iria dar banho na menina.

As lesões foram constatadas durante a troca de fraldas, conforme o prontuário médico – veja linha do tempo abaixo. A família foi informada das lesões e autorizou a realização de exames pelo Instituto Médico Legal (IML).

“Eles entraram 8h da manhã. Saíram 10h. Demorou muito. À noite, quando foram levar ela [Emanuelly] para baixo, a assistente social me chamou e me mostrou como estava”, disse a tia, Luana Oliveira.

O prontuário médico de Emanuelly indica que as primeiras lesões genitais foram registradas pela equipe de enfermagem quase 24 horas após a internação. O laudo cadavérico realizado pela Polícia Científica confirmou a presença de lesões íntimas, mas não determinou a origem.

Linha do tempo do prontuário:

  • 3 de maio: Após medicação, o prontuário diz que criança apresentou melhora e foi liberada com orientações para monitorar os sintomas e procurar atendimento médico em caso de piora.
  • 5 de maio: A criança volta ao Hecad após piora. O prontuário diz que ela estava há mais de uma semana com quadro de dor abdominal, diarreia e vômitos. Na data, ela foi internada na “sala vermelha”, com “diurese e evacuação ausente”. Não há relatos de lesões genitais no registro.
  • 6 de maio: O prontuário médico indica que a criança está em estado gravíssimo, apresentando cerca de 10 dias de dor abdominal, diarreia e vômitos. Na data, foram constatadas lesões nos órgãos genitais, identificadas enquanto a fralda era trocada.
  • 7 de maio: O registro afirma que a mãe da criança foi informada sobre as lesões e que há suspeita de abuso sexual. Conforme o relato, a responsável concordou em submeter a criança a um exame no IML.

Prisão e vítimas

O técnico em segurança do trabalho foi preso suspeito de estuprar crianças em Goiânia. Segundo a Polícia Civil de Goiás (PC-GO), o homem se aproveitava de informações recebidas em um hospital para identificar famílias com vulnerabilidade onde os pais precisavam se ausentar durante a internação.

Com as informações, segundo a Polícia Civil, o homem entrava em contato com o pretexto de “cuidar das crianças” e abusava delas. A investigação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia identificou ao menos três vítimas.

O homem foi preso suspeito de estupro de vulnerável e aliciamento de criança para praticar ato libidinoso. Segundo a polícia, ele é um criminoso sexual e investigado por diversos crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

A Polícia Civil não divulgou o que o suspeito disse em depoimento. Além disso, não foi informado se a mulher que, segundo a família, teria também entrado no quarto está sendo investigada.

A conselheira tutelar Érika Reis detalhou que o Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso da criança de 4 anos após os profissionais desconfiarem que ela poderia ter sido abusada sexualmente.

“Ao chegar ao local, o Conselho Tutelar se deparou com a genitora que afirmava que a criança não chegou ao hospital com as escoriações nas partes íntimas. Ao conversar com a genitora, a mesma alegou que havia recebido uma ligação de um suposto funcionário do hospital o qual afirmava que gostaria de poder ajudar a cuidar da criança”, detalhou Érika.

g1

ByPietro

Formação em Direito Pós Graduado em Direito Cívil e Processo civil Estudante de Filosofia

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