A Polícia Civil de Goiás cumpriu sete mandados de prisão temporária durante a Operação Dominus Fictus e localizou um dos principais investigados escondido em uma pousada no Centro Histórico de Pirenópolis. A ação mira uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro.
As autoridades destacam que os golpes não foram praticados no município turístico. Segundo as investigações, os crimes ocorreram principalmente em Goiânia e na região metropolitana. Pirenópolis aparece no caso apenas como o local onde o suspeito foi encontrado e preso.
PRISÕES EM DIFERENTES CIDADES
A operação ocorreu simultaneamente em várias cidades goianas, incluindo Aparecida de Goiânia, Senador Canedo e Caturaí. O investigado detido em Pirenópolis é apontado como um dos líderes do grupo e teria tentado manter discrição ao se hospedar em uma pousada simples durante a deflagração da ação.

A polícia informou que ele mantinha padrão de vida elevado na capital, incluindo residência em condomínio de alto padrão, o que reforçou as suspeitas de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada.
COMO FUNCIONAVA O GOLPE
A investigação apura a prática do chamado “golpe do novo número”, modalidade de estelionato digital que utiliza aplicativos de mensagens para enganar vítimas. O esquema seguia um padrão:
- Criação de perfil falso com foto de familiar ou sócio;
- Mensagem informando troca de número telefônico;
- Pedido urgente de transferência para pagamento de boletos ou compromissos.
A estratégia explorava confiança e urgência para induzir vítimas a realizar transferências.
LAVAGEM DE DINHEIRO E ORGANIZAÇÃO DO GRUPO
Segundo a Polícia Civil, o grupo possuía divisão de funções: alguns integrantes abordavam vítimas, outros forneciam contas bancárias e operadores financeiros pulverizavam os valores para dificultar o rastreamento. Há indícios de uso de contas de terceiros e empresas de fachada.
Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, documentos e veículos. A Justiça também determinou bloqueio e sequestro de bens para garantir eventual ressarcimento às vítimas.
CRESCIMENTO DOS CRIMES DIGITAIS
A ofensiva ocorre em meio ao aumento do estelionato eletrônico no Brasil, impulsionado pelo uso de aplicativos de mensagens e transferências instantâneas. Em Goiás, unidades especializadas atuam no combate a crimes cibernéticos em parceria com instituições financeiras.
ORIENTAÇÕES DE PREVENÇÃO
A Polícia Civil reforça medidas para evitar o golpe do novo número:
- Confirmar pedidos financeiros por ligação ao número antigo;
- Desconfiar de mensagens com tom de urgência;
- Não realizar transferências sem validação;
- Avisar o banco imediatamente em caso de suspeita.
O inquérito segue em andamento, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações.
