O delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, que ficou tetraplégico após um grave acidente na GO-330 em julho de 2025, tornou-se o primeiro goiano a receber tratamento experimental com polilaminina, substância em estudo para regeneração de lesões medulares. A aplicação foi realizada em janeiro deste ano no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, por uma equipe especializada vinda do Rio de Janeiro.

O acidente que mudou sua vida

Leonardo estava em uma viatura da Polícia Civil quando o veículo capotou ao tentar desviar de um caminhão que invadiu a pista contrária. No carro também estavam o agente Ananias Batista, de 52 anos, e a estagiária Amanda Monteiro, de 19, que morreram no local. A estagiária Ana Caroliny sobreviveu, mas precisou de longo período de internação. O delegado, por sua vez, sofreu lesão medular grave e perdeu os movimentos dos quatro membros.

O tratamento experimental

A polilaminina é um composto desenvolvido em laboratório a partir da laminina, proteína presente no corpo humano e essencial para o crescimento celular. Pesquisas conduzidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da cientista Tatiana Sampaio, mostraram indícios de que a substância pode estimular a regeneração da medula espinhal.

Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início de um estudo clínico de fase 1 para avaliar a eficácia e segurança da polilaminina em pacientes com lesões medulares recentes. Leonardo conseguiu acesso ao tratamento por meio de decisão judicial, tornando-se pioneiro em Goiás.

Expectativas e primeiros resultados

Segundo relatos de colegas e familiares, o delegado já apresenta sinais de melhora. A escrivã Caroline Trancouso, que trabalha na delegacia de Silvânia, afirmou que Leonardo voltou a ter movimentos na parte superior do corpo e consegue se alimentar sozinho.

O gerente de reabilitação física e visual do Crer, Eduardo Carneiro, destacou que o tratamento deve ser acompanhado de intensa reabilitação:

  • Fisioterapia
  • Terapia ocupacional
  • Hidroterapia e ecoterapia

Essas práticas estimulam a chamada neuroplasticidade, ou seja, a capacidade da medula de se reorganizar e recuperar funções.

O que dizem os especialistas

Apesar da esperança, os pesquisadores reforçam que a polilaminina ainda é uma promessa. Os resultados positivos em animais e em um pequeno grupo de pacientes precisam ser confirmados em estudos clínicos mais amplos. A cientista Tatiana Sampaio ressalta que o processo científico exige rigor e tempo para comprovar eficácia e segurança.

Impacto humano e social

O caso de Leonardo Sanches simboliza não apenas a luta individual de um servidor público que dedicou sua vida à segurança da população, mas também o avanço da ciência brasileira em busca de soluções para lesões medulares, que afetam milhares de pessoas todos os anos.

A esperança depositada nesse tratamento reacende o debate sobre o acesso a terapias inovadoras, o papel da Justiça em garantir direitos de pacientes e a importância de investimentos contínuos em pesquisa científica.

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