Escrito por Redação – 15 de fevereiro de 2026
O peso das despesas essenciais
Um levantamento da Serasa Experian em parceria com a Opinion Box revelou que os gastos básicos comprometem 57% do orçamento das famílias goianas. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mais de seis mil brasileiros foram entrevistados, e os dados mostram que alimentação, moradia e contas fixas lideram as despesas. Em Goiás, mais da metade da renda mensal é consumida logo nas necessidades primárias, deixando pouco espaço para investimentos ou lazer.
A média mensal para cobrir despesas cotidianas chega a R$ 3.370, valor que coloca o estado na 9ª posição nacional em custo de vida. No Centro-Oeste, Goiás aparece atrás apenas do Distrito Federal, que tradicionalmente concentra os maiores gastos da região. Esse cenário reforça a percepção de que o peso das despesas essenciais tem se tornado um desafio crescente para as famílias, especialmente em tempos de inflação elevada e reajustes constantes.
Os principais vilões do orçamento são o supermercado e a moradia. Em média, as compras mensais somam R$ 890, enquanto os gastos com aluguel ou financiamento variam entre R$ 870 e R$ 900. Esses números evidenciam que, mesmo em um estado com forte produção agrícola, o custo da alimentação continua elevado, pressionando o bolso dos consumidores.

Contas fixas e impacto da energia elétrica
Além da alimentação e da moradia, as contas básicas também pesam no orçamento das famílias goianas. Água, energia e internet totalizam cerca de R$ 530 mensais. O maior impacto vem da energia elétrica (Grupo Equatorial Energia), que registrou alta acumulada de 30% em 2025, tornando-se um dos principais fatores de desequilíbrio financeiro. Esse aumento reflete tanto os reajustes tarifários quanto a dependência de fontes de energia mais caras.
A pressão das contas fixas tem levado muitas famílias a rever hábitos de consumo. Cortes em serviços de internet, renegociação de contratos de aluguel e até mudanças de residência para bairros mais acessíveis são estratégias cada vez mais comuns. No entanto, especialistas alertam que essas medidas paliativas não resolvem o problema estrutural do custo de vida elevado.
Comparando com a média nacional, alguns segmentos em Goiás apresentam valores superiores. Saúde e atividade física, por exemplo, exigem desembolso médio de R$ 570, enquanto transporte e mobilidade alcançam cerca de R$ 370 por mês. Esses números mostram que, além das despesas básicas, outros setores também contribuem para o aperto financeiro das famílias.
Goiás abaixo da média nacional, mas em alerta
Apesar de ocupar a 9ª posição no ranking nacional, o custo de vida em Goiás ainda fica abaixo da média brasileira, estimada em R$ 3.520 mensais. Essa diferença, porém, não tem sido suficiente para aliviar a sensação de aperto financeiro entre os entrevistados. A pesquisa aponta que grande parte das famílias sente dificuldade em equilibrar o orçamento, mesmo quando os números indicam gastos menores que a média nacional.
Esse paradoxo se explica pelo comprometimento da renda com despesas essenciais. Quando 57% do orçamento é destinado apenas a alimentação, moradia e contas fixas, sobra pouco para outras necessidades. O resultado é uma percepção constante de insuficiência, que afeta diretamente o bem-estar e a qualidade de vida da população.
Diante desse cenário, especialistas defendem maior atenção do poder público. Políticas de incentivo à produção local, subsídios para energia elétrica e programas de apoio às famílias de baixa renda são algumas das medidas sugeridas. Sem ações concretas, o risco é que Goiás continue subindo no ranking nacional de custo de vida, ampliando as dificuldades financeiras da população.
