A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, que investiga fraudes financeiras ligadas ao banco de Daniel Vorcaro, não trouxe pacificação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Pelo contrário, o ambiente interno ficou mais tenso após a divulgação de trechos de reuniões reservadas entre ministros, publicada pelo jornal digital Poder360 nesta sexta-feira (13).
Segundo relatos de integrantes da Corte, o conteúdo divulgado reproduz frases literais ditas durante encontros privados, o que levantou a suspeita de que as reuniões possam ter sido gravadas. Alguns ministros classificaram o episódio como uma “traição” e afirmaram que houve distorções em parte do relato.
O desconforto aumentou porque o material publicado traz uma narrativa considerada favorável a Toffoli, omitindo trechos negativos ao ministro. Isso levou colegas a suspeitarem de sua participação no vazamento. Procurado pela GloboNews, Toffoli negou categoricamente: “Essa informação é totalmente inverídica. Nunca gravei ninguém na minha vida.”
Reuniões tensas e suspeitas de quebra de confiança
Na quinta-feira (12), três reuniões foram realizadas: uma preparatória com apenas cinco ministros — Fachin, Toffoli, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia — e outras duas após a sessão plenária, sem a presença de assessores.
Um ministro relatou que a divulgação das conversas representa uma quebra de confiança: “Mesmo que não tenha sido gravado, alguém passou frases literais para a imprensa. Isso é gravíssimo.”
Divergências internas
De acordo com o Poder360, oito ministros teriam defendido a permanência de Toffoli na relatoria, contra apenas Fachin e Cármen Lúcia, que se manifestaram pela saída. A ministra teria afirmado: “Todo taxista que eu pego fala mal do Supremo. A população está contra o Supremo.”
Apesar do apoio majoritário, Toffoli decidiu se afastar após ponderações de Flávio Dino sobre o impacto político do caso. A decisão evitou que fosse formalmente declarado suspeito, o que preservou os atos já praticados no inquérito.
Novo relator
Com a saída de Toffoli, o ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator. Já nesta sexta-feira, ele se reuniu com delegados da Polícia Federal para se atualizar sobre o andamento das investigações e os próximos passos.
