Um episódio digno de roteiro cinematográfico ocorreu na madrugada do último domingo (8), em Caxambu, no sul de Minas Gerais. Luiz Gustavo Fonseca Aires, de 52 anos, foi preso após invadir o aeroporto da cidade e tentar furtar um helicóptero modelo Robinson R66, avaliado em cerca de R$ 6 milhões. O caso chamou atenção não apenas pela ousadia, mas também pela reincidência: o suspeito já havia se envolvido em um crime semelhante nos Estados Unidos, onde roubou um avião monomotor na Califórnia há dois anos.

A invasão ao aeroporto

Segundo informações da Polícia Militar, Aires cortou o alambrado de proteção do aeroporto de Caxambu e conseguiu acessar a área onde o helicóptero estava estacionado. Ele entrou na aeronave, ligou o motor e chegou a iniciar a decolagem. No entanto, sem conseguir controlar o equipamento, caiu instantes depois ainda dentro da área do aeroporto. Apesar do acidente, não houve feridos, mas os danos ao helicóptero foram significativos.

Após a queda, o suspeito abandonou o helicóptero e fugiu para sua residência em São Lourenço, cidade vizinha. Horas depois, foi localizado e preso pela Polícia Militar. Durante o depoimento, afirmou que não tinha intenção de roubar a aeronave, mas apenas “testá-la”, alegando ser apaixonado por aviação. Ele também declarou possuir licença de piloto, porém vencida.

Histórico de reincidência

O helicóptero não foi a primeira aeronave subtraída por Luiz, segundo a Polícia. Durante depoimento, o homem teria admitido outro furto de um avião de pequeno porte na Califórnia, nos Estados Unidos, em 2024.

Brasileiro teria pilotado um monomotor American Champion Citabria, no aeroporto de Palo Alto, na baía de São Francisco. Na ocasião, ele foi forçado a fazer um pouso na praia de Half Moon Bay, após a aeronave ficar sem combustível. A aeronave ficou danificada.

Ele foi detido e o caso ganhou repercussão na imprensa norte-americana. De acordo com o canal de TV Fox KTVU, o brasileiro chegou a ser condenado a um ano e oito meses de prisão, além do pagamento de US$ 58 mil (R$ 301 mil na atual cotação) para reparar os danos causados à aeronave.

Justiça do Condado de San Mateo concedeu liberdade a Luiz em 2025, quando ele retornou ao Brasil. Não foi divulgado se ele pagou o valor estipulado para indenizar o dono do avião roubado.

Prejuízo milionário

O helicóptero envolvido na tentativa de furto era um modelo R66 fabricado em 2023, considerado moderno e de alto valor no mercado. Estimativas apontam que os danos causados pela queda podem ultrapassar R$ 6 milhões, valor que será apurado em laudo técnico.

De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, o caso será investigado como tentativa de furto qualificado e dano ao patrimônio. A reincidência internacional do suspeito pode agravar sua situação judicial. “É um caso raro e extremamente perigoso, pois envolve uma aeronave de grande porte e risco à segurança pública”, afirmou um porta-voz da corporação.

O episódio ganhou repercussão nacional e internacional, especialmente pelo histórico do suspeito. Sites especializados em aviação destacaram a ousadia e a irresponsabilidade da ação, lembrando que aeronaves exigem treinamento rigoroso e licenças válidas para operação. O portal Aeroin classificou o caso como “um exemplo claro de paixão pela aviação que ultrapassou os limites da legalidade”.

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