Em uma decisão que gerou intensos debates políticos, a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta de cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), contrariando determinação anterior do Supremo Tribunal Federal (STF). Por 227 votos contra 170, a Casa não alcançou os 257 votos necessários para confirmar a perda do mandato, mantendo assim a parlamentar em seu cargo.

Zambelli está detida na Itália desde julho, após ser acusada de envolvimento no ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), supostamente realizado com a ajuda do hacker Walter Delgatti Neto. Em maio, ela foi condenada à perda do mandato e a dez anos de prisão pelo STF.

A decisão da Câmara também contrariou a recomendação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que havia se posicionado favoravelmente à cassação, com apoio de deputados do centro político. Inicialmente, o presidente da Câmara, Arthur Lira, havia sinalizado apoio à decisão do STF, mas acabou encaminhando o caso à CCJ após pressão do Partido Liberal.

Zambelli foi a mulher mais votada do país nas eleições de 2022 para a Câmara, com mais de 946 mil votos, o que reforça seu peso político dentro da bancada bolsonarista.

A manutenção de seu mandato reacende discussões sobre os limites entre os poderes Legislativo e Judiciário, além de levantar questionamentos sobre a influência partidária nas decisões parlamentares.

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