Por Pietro, correspondente especial
Washington, 6 de setembro de 2025 — A tensão entre Estados Unidos e Venezuela atingiu um novo patamar nesta sexta-feira, após o presidente Donald Trump autorizar formalmente o abate de aeronaves militares venezuelanas que representem ameaça às forças americanas no Caribe.
A declaração veio um dia após dois caças F-16 venezuelanos sobrevoarem o destróier norte-americano USS Jason Dunham em águas internacionais. O Pentágono classificou o ato como uma “ação altamente provocativa” e uma tentativa de interferir nas operações dos EUA contra o narcotráfico e o terrorismo.
Durante coletiva na Casa Branca, Trump foi direto:
“Se nos colocarem em uma posição perigosa, serão abatidos”.
O presidente se dirigiu ao general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, e afirmou que os comandantes militares têm liberdade para agir diante de qualquer ameaça aérea.
“Vocês podem fazer o que quiserem se esses caças se aproximarem de forma perigosa”, disse Trump.
Além disso, o governo americano ordenou o envio de 10 jatos F-35 para Porto Rico, reforçando sua presença militar na região. A medida é vista como um recado direto a Caracas, que tem sido acusada por Washington de facilitar o tráfico de drogas e abrigar organizações criminosas como o Tren de Aragua.
🔍 Escalada regional e alianças emergentes
O confronto entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela vem se intensificando, marcado por acusações mútuas e pela mobilização de recursos e embarcações militares. A tensão entre o ditador venezuelano Nicolás Maduro e o presidente norte-americano Donald Trump tem levado países latino-americanos a se posicionarem gradualmente.
No dia 26 de agosto, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington recebeu apoio de diversas nações da região contra o chamado Cartel dos Sóis, suposto grupo de narcotráfico atribuído pelos EUA a Maduro, mas cuja existência é negada por Caracas. Segundo ele, os esforços buscam interromper o fluxo de drogas e ampliar a coalizão internacional.

O Equador foi o primeiro a se alinhar a Washington. Duas semanas atrás, o presidente Daniel Noboa classificou o Cartel como “grupo terrorista do crime organizado” e determinou que o Centro Nacional de Inteligência avaliasse sua influência no crime local. Em seguida, o Paraguai, por decreto de Santiago Peña, também declarou o grupo como “organização terrorista internacional”, com respaldo do Senado.
Na mesma data, o presidente da Argentina, Javier Milei, adotou medida semelhante, alegando a existência de atividades ilícitas transnacionais, incluindo tráfico de drogas e contrabando. A Guiana, por sua vez, expressou “profunda preocupação” com o narcoterrorismo e pediu maior integração regional contra a ameaça.
Em contrapartida, o presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou a narrativa:
“O Cartel dos Sóis não existe; é uma desculpa fictícia usada pela extrema direita para derrubar governos que não a obedecem”.
📌 Próximos passos
Especialistas em segurança internacional alertam para o risco de um confronto direto, caso novos sobrevoos ocorram. A autorização presidencial para o uso de força letal contra aeronaves militares estrangeiras é rara — e sinaliza que os EUA estão dispostos a ir além da retórica.
