Uma nova peça se soma ao quebra-cabeça das suspeitas de fraude no extinto programa GraduAção, mantido pela Prefeitura de Anápolis até sua descontinuação pelo atual prefeito Márcio Correa (PL). Entre os beneficiários está a filha de um conhecido farmacêutico da cidade, proprietário de uma farmácia nas imediações da Praça Americano do Brasil, no Centro. A jovem foi contemplada com uma bolsa integral para o curso de Medicina, mesmo com indícios de que sua família não se enquadrava nos critérios socioeconômicos exigidos pelo programa.

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O caso ganhou atenção após vir à tona a história de outra estudante que, apesar de declarar baixa renda, ostentava viagens internacionais e um estilo de vida luxuoso nas redes sociais. A repercussão levou à abertura de investigações e à revisão de diversos processos de concessão de bolsas. Desde então, o programa passou a ser alvo de apurações judiciais e administrativas, todas sob segredo de Justiça — o que tem sido usado como escudo por alguns dos envolvidos para evitar exposição pública.

O farmacêutico, que foi um defensor fervoroso da reeleição do ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos) em 2020, agora evita aparições públicas e, segundo fontes, teria confidenciado a pessoas próximas que não se oporia a indenizar o município, caso seja legalmente obrigado. A declaração, embora informal, sugere que há consciência sobre possíveis irregularidades na obtenção do benefício.

A filha, por sua vez, segue cursando Medicina, enquanto o caso permanece envolto em silêncio institucional. A Prefeitura de Anápolis, após os primeiros indícios de fraude, criou uma comissão especial para revisar os critérios de concessão e apurar possíveis favorecimentos indevidos. O Ministério Público de Goiás também foi acionado para investigar o uso de recursos públicos em bolsas concedidas a estudantes com alto poder aquisitivo.

O segredo de Justiça que paira sobre os processos tem sido criticado por setores da sociedade civil, que cobram transparência e responsabilização. Enquanto isso, famílias de baixa renda que não conseguiram acesso ao programa GraduAção continuam à margem do ensino superior, reforçando a sensação de injustiça e privilégio.

A história da filha do farmacêutico é apenas uma entre várias que estão sendo analisadas. O desfecho dependerá das investigações em curso e da disposição das autoridades em garantir que os recursos públicos sejam usados de forma ética e equitativa.

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