A bebê de apenas três meses que havia sido internada em estado gravíssimo após supostas agressões cometidas pelo próprio pai em Anápolis faleceu na tarde desta quinta-feira, 14 de agosto de 2025. A confirmação veio do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), que havia iniciado o protocolo de morte encefálica na última terça-feira, dia 12. O procedimento é adotado para confirmar a perda irreversível das funções cerebrais antes do desligamento dos aparelhos de suporte à vida.

A criança foi levada à UPA Pediátrica no domingo, 10 de agosto, depois que a mãe, de 27 anos, acionou a Polícia Militar alegando que a filha havia se engasgado com leite e estava sem respirar há cerca de cinco minutos. No entanto, ao chegar à unidade de saúde, os profissionais constataram que os ferimentos apresentados pela bebê não eram compatíveis com um episódio de engasgo. Havia sinais claros de agressão, incluindo hematomas e lesões que indicavam violência física.

Diante da gravidade da situação, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) foi acionada imediatamente. O pai da bebê, de 31 anos, foi preso em flagrante ainda no hospital e passou a ser investigado por tentativa de homicídio. Com a morte da criança, o caso agora é tratado como homicídio qualificado. A delegada responsável, Aline Lopes, afirmou que os ferimentos não foram causados por manobras de reanimação, mas sim por ações contundentes, indicando que a bebê foi agredida de forma intencional.

Além da vítima, o casal tem outros três filhos pequenos, que viviam na mesma residência em condições precárias. Vizinhos relataram à polícia que já haviam presenciado episódios de maus-tratos e que a bebê parecia ser alvo frequente de agressões. A mãe também poderá ser investigada para apurar se tinha conhecimento das violências e se foi omissa diante da situação.

A morte da bebê comoveu a cidade de Anápolis e reacendeu o debate sobre a violência doméstica contra crianças. Especialistas alertam para a importância da denúncia e da atuação rápida das autoridades em casos suspeitos. O Disque 100, o Conselho Tutelar e a própria DPCA estão entre os canais disponíveis para denúncias anônimas e gratuitas.

O caso segue sob investigação, e a sociedade aguarda que a Justiça seja feita diante de uma tragédia que expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade da infância diante da violência dentro do próprio lar.

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